03/12/2008

noites sem dormir são gumes afiados
que cortam pedaços de mim
são trevas que me invadem
pesadelos que não têm fim
o bater da chuva acorda-me
o frio instala-se,
o choro possui-me
o fumo acalma-me,
o cansaço adormece-me
sonhos que sinto como reais
levam-me ao teu mundo
e quero mais, sempre mais
mas quando acordo...
estou de novo no fundo!
será pecado, loucura, insensatez
viver acordada numa ilusão
que me consome a cada vez
que penso na tua paixão??
tudo perde o sentido
nada chama à razão
mas quando te sentes perdido
acende-se de novo a paixão
amor sofrido
olhar de perdição
sorriso de loucura
sempre com a mesma doçura
sossega-me o coração
pensas no impossível
vives numa quimera
bordada a ouro azul
de fábulas de encantar
e só pedes a Deus
que não te deixe acordar...

02/12/2008

foi uma estrela que me disse
sussurrou-me ao ouvido
histórias que eu queria ouvir,
e foi tão real...
como um raio que me parte em dois
uma metade aqui, a outra, onde estará?
sentindo teu cheiro, seguindo teu rasto...
é essa metade que faz de mim o que sou
mulher, musa, amante, louca...
neste manicómio da vida,
onde procuramos a metade que nos falta,
e que me faltará para sempre...se não te encontrar!
por entre sonhos, prazer, paixão
por entre mares de loucura e solidão
serás sempre o meu porto de abrigo,
que me acolhe com a sua doçura.
um mar sem ondas...
mas com a força de mil tsumanis,
que me ergue por entre as ondas!
e me leva ao céu longínquo...
as estrelas deixaram de sussurrar...
já não me contam histórias tuas...

01/12/2008

como me rasga a alma, como me transforma
o peso do tempo que teima em nao passar
a água que corre e nao me leva ao mar
os sonhos que teimam em não chegar
a mão que me toca sem lá estar
noites de insónia, dias de solidão
tardes chegam que mas tu não
sol que me queima
lua que me sussurra
passos que oiço sem barulho
cama fria, noite rasgada
lágrima salgada mas não esperada
fumo que queima, fogo que acalma
dor que invade e fere a alma...
flores não abrem, neve não cai
o tempo parou e não volta mais
distância atroz, saudade tamanha
vento que cheira, gelo que parte
horizonte longínquo que teima em chamar-te
núvens carregadas, chuva que lava
fé que aquece, esperança renovada
a cada palavra, a cada carinho
beijos como doces, abraços que faltam
liberdade conquistada, vida desejada
perto tão perto...
longe como as certezas
certa como tudo, e como nada...